O pediatra Shayan Vyas chama atenção para a falta de investimento em tecnologia voltada para a saúde de crianças e mostra como este gap afeta, diretamente, a educação.

Os exemplos são americanos, mas um artigo publicado no prestigioso Tech Crunch, um dos principais veículos na cobertura do Vale do Silício, aponta paralelos com o Brasil. 

 

Em 2018, os diversos fundos que investem em startups, nos EUA, puseram U$ 8,1 bilhões em empresas iniciantes de healthtech. É verdade que, em muitos casos, os custos de pesquisa na área de saúde são altos. No entanto impressiona o fato de que, deste montante, apenas US$ 60 milhões foram para tecnologias relacionadas a pediatria.

 

Problemas de saúde são os responsáveis por uma em cada seis faltas às escolas, no ensino público americano. Para crianças pobres, o acesso a médicos é caro e frequentemente os pais não têm como faltar para leva-las a uma visita ao pediatra. Mas, em muitos casos, as crises de saúde são evitáveis. A terceira maior causa de hospitalização de crianças, sempre números de lá, é asma. Seis milhões de crianças e adolescentes com menos de 18 sofrem do mal. Só o fato de a escola ter ciência de que o aluno tem asma e que pode se tratar com esteroides por via oral já seria o suficiente para evitar faltas, crises e mesmo internação.

 

Para isso, basta informação. Um sistema integrado com fichas, aos quais pais, médicos e o sistema público de ensino tivessem acesso, sempre atualizado com o histórico de cada aluno, seria suficiente para melhorar a presença em sala de aula e até evitar tragédias. Telemedicina, com a possibilidade de conexão entre escolas e médicos para consultas em emergência faria também diferença.

 

Pediatria é um ponto cego na indústria de healthtech. E é, justamente, onde menos dinheiro pode gerar mais retorno.

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