Evento internacional que acontece simultaneamente em diversos países marca presença em São Paulo. Especialistas palestraram e debateram temas atuais da oncologia e inovação médica.

Na quarta-feira, 16, era possível ouvir essa pergunta na Taverna Medieval, bar da zona sul de São Paulo, durante o Pint of Science. Evento internacional que ocorre simultaneamente em diversos países, com objetivo de debater temas científicos em um ambiente descontraído, longe dos laboratórios de pesquisa.

 

Para falar sobre as inovações em tratamentos para o câncer, o patologista, Cristovam Scapulatempo Neto e o biólogo, José Eduardo Levi, ambos da GeneOne, laboratório de genética médica do Grupo Dasa, proferiram palestras para um público que mesclava estudantes, jornalistas, médicos e curiosos. O papo fluiu noite adentro e culminou em canecas e intelectos abastecidos.

 

Genética e Oncologia

 

O patologista, Scapulatempo, iniciou a sua palestra falando sobre o cenário atual dos tratamentos de câncer. Como a genética amplia o entendimento dos variados tipos de tumores e mutações que as células podem sofrer, podendo resultar em câncer.

 

“Mesmo com particularidades diferentes, os pacientes, em muitos casos, são tratados da mesma forma”, lamentou Scapulatempo. Usando o câncer de pulmão como exemplo, o especialista enumerou um grande número de tumores que estão associados a esse tipo de condição oncológica. Com os avanços da genética e da medicina, é possível um tratamento mais personalizado, aumentando o conhecimento “caso a caso” da doença, proporcionando uma terapia mais assertiva.

 

No segundo momento da noite, o biólogo, Levi, trouxe um pouco da história da oncologia. Tendo passado os últimos 30 anos em laboratórios de pesquisa, ele deu uma amostra da complexidade da patologia ao relembrar que a automatização do sequenciamento do genoma se popularizou apenas nos anos 90. Antes disso, o trabalho manual era a única alternativa. Vale lembrar que hoje sabemos que existem mais de 3 bilhões de bases de formação dos genes.

 

A descoberta de que o plasma contém informações que podem ajudar no diagnóstico do câncer foi citada como um momento-chave nos estudos da doença. “Após todos esses anos, continuo otimista e acredito que estamos realizando conquistas importantes”, afirmou Levi.

 

Imunoterapia e biópsia líquida

 

No momento final, o microfone em que as perguntas eram feitas aos especialistas, houve fila de espera. Perguntas técnicas e leigas recebiam o mesmo entusiasmo dos palestrantes. Duas frentes promissoras da oncologia ganharam destaque neste momento.

 

A imunoterapia é apontada por Scapulatempo como um avanço importante para o tratamento. Quando combinada com outras terapias, os resultados são ainda mais animadores. A lógica é simples. O nosso sistema imunológico possui células de defesa que, quando estimuladas, podem combater um tumor. Esse caminho é promissor e já é realidade para alguns casos.

 

O termo “cura” é um tabu dentro da oncologia. Deve-se ter cuidado em afirmar isso diante de uma doença tão complexa e que há anos desafia os melhores pesquisadores do mundo. Mas existe uma inegável expectativa em relação à imunoterapia para o tratamento do câncer.

 

Por outro lado, a biópsia é uma é um procedimento que necessita de simplificação. Causa desconforto, necessita de anestesia e existe risco de infecções. Já a biópsia líquida é realizada com um simples exame de sangue. Atualmente, é mais utilizada para acompanhar a evolução do tratamento. Além disso, alguns marcadores biológicos podem ser identificados por meio dessa técnica, direcionando o paciente à terapia com drogas especialmente desenhadas para o perfil de seu tumor. Isso é realidade para casos de câncer de pulmão, tumores colorretais, pancreáticos e de tireoide. A técnica, até o momento, não é capaz de fazer o diagnóstico da doença, tampouco de ser uma estratégia de rastreamento, mas possibilita, ao monitorar o paciente, identificar a iminente ocorrência de metástase e, desta forma, agir precocemente e alterar a conduta terapêutica.

 

Para o futuro, Levi acredita no potencial uso da biópsia líquida na prevenção.

 

“Vislumbrar essa ideia é algo estimulante. Com o passar do tempo, as informações que estão sendo coletadas hoje vão ajudar a indicar quais os tipos de doença uma pessoa está propensa a desenvolver”, acredita.

 

O conhecimento e a diversão se encontraram e mostraram que coexistem muito bem. Ambos elogiaram a proposta do evento e concordaram que a ciência deve ser mais debatida. Dentro e fora dos laboratórios, universidades e hospitais.

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