Entenda como os algoritmos tornaram-se as meninas dos olhos do segmento health e como a inteligência artificial está aprimorando a medicina diagnóstica.

O Google e suas empresas da holding Alphabet estão fazendo um enorme investimento no setor de saúde a partir do uso de inteligência artificial. É uma evolução natural para uma empresa que desenvolve algoritmos que impactam profundamente nossas vidas através da web. "As tecnologias subjacentes de aprendizado e inteligência artificial são aplicáveis a todos os tipos de tarefas", diz Greg Corrado, neurocientista do Google. A empresa também sabe o ‘valor’ de investir nessa esfera. "É muito difícil ignorar um mercado que representa cerca de 20% do PIB dos EUA”, diz John Moore, analista do setor na Chilmark Research. "Portanto, seja o Google ou a Microsoft ou a IBM ou a Apple, todos estão vendo como participar”.

 

O Google já tinha tentando entrar no setor, há dez anos atrás, com uma iniciativa chamada Google Health, mas recuou e agora reinicia seus esforços. Segundo a National Public Radio (NPR), centenas de funcionários estão trabalhando nesses projetos, muitas vezes em parceria com outras empresas e pesquisadores. O Google não divulga o tamanho de seu investimento, mas Moore diz que é provável que sejam bilhões de dólares.

 

Uma das principais investidoras é uma empresa-irmã chamada Verily. Entre seus projetos, está um software que pode diagnosticar uma causa comum de cegueira chamada retinopatia diabética e que atualmente está em uso na Índia. A Verily também está trabalhando em ferramentas para monitorar o nível de açúcar no sangue em pessoas com diabetes, bem como ‘robôs cirurgiões’ que aprendem com cada operação; a chamada robótica cirúrgica.

Mas como esses algoritmos operariam na esfera da saúde? Os hospitais têm muitas informações sobre o paciente típico na forma de registros eletrônicos. Jessica Mega, chefe do departamento médico e científico da Verily, diz que há potencial para extrair muito mais informações úteis. “É tudo sobre como gerenciar grandes quantidades de dados. Isso pode ajudar as pessoas a evitarem doenças”.

 

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O histórico de navegação das pessoas pode revelar muito sobre o que compramos, como nos exercitamos e outras facetas sobre estilos de vida. “Agora entendemos que isso tem muito a ver com as decisões de saúde que tomamos”, explica Reed Tuckson, que integra o grupo de trabalho da Academia Nacional de Medicina que está explorando a inteligência artificial. Ele diz que o Google precisa lidar com cuidado com problemas de privacidade, mas está otimista com a tecnologia. "Devemos lembrar que o status quo não é aceitável por si só e que temos que usar todas as ferramentas à nossa disposição - usá-las de maneira inteligente”.

 

O Google, de fato, tem uma enorme vantagem em se tratando de coletar dados de usuários, mas Corrado diz que a empresa está bem ciente da sensibilidade de colocar essas informações em uso e está pensando em como abordar isso sem provocar uma reação negativa. "Tem que ser algo que é impulsionado pelo desejo dos pacientes de usar suas próprias informações para melhorar seu bem-estar", diz.

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