As startups de saúde possuem desafios diferentes de outros setores, a precisão das soluções precisa estar alinhada com a necessidade dos pacientes

Executiva da Apple por 22 anos, Robin Goldstein tem críticas aos métodos do Vale do Silício empregados em tecnologia de saúde. Afinal, o Vale está acostumado a lançar produtos que não estão de todo prontos. O primeiro iPhone só era revolucionário no papel — a máquina mesmo era lenta e não tinha GPS. A Amazon pôs um smartphone chamado Fire à venda — foi um desastre. Consumidores que compram estas tecnologias logo após o anúncio sabem que, muitas vezes, a primeira geração deixa a desejar. A única perda real são algumas dezenas ou centenas de dólares. E faz parte do processo criativo que testa já direto no mercado as novidades. Só que, para healthtech, não dá.
 
Tecnologia de saúde é uma indústria nascente. Hoje, os produtos são voltados para três áreas essenciais. Diagnóstico, seleção e distribuição de pacientes para médicos, e acompanhamento de doenças. Na ponta dos consultórios e hospitais, os contratos são grandes e há constante atualização. Só que, na ponta dos sistemas e gadgets voltados para o consumidor, é mais delicado. Um produto desses não pode falhar como muitas vezes ocorre com as primeiras gerações. Além disso, ainda não há protocolos comuns adotados por todos os fabricantes. Assim, não adianta comprar um aparelho que acompanha os sinais vitais relacionados a uma doença se o médico responsável não tem a outra ponta da tecnologia. Se ele não é informado de mudanças sérias, o aparelho é inútil.
 
Em essência, empresas de healthtech dificilmente serão perdoadas em caso de falhas. Sim: é indústria digital. Mas a forma de operar tem de ser reinventada. Este é o principal desafio para o Vale do Silício.

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