Iniciativas da Amazon e Microsoft apontam novos caminhos para a compra e venda de medicamentos

Em julho do ano passado, a Amazon comprou a startup PillPack por R$ 1 bilhão. É uma farmácia online — o paciente envia uma foto da receita médica, preenche o número do cartão, e o negócio envia de volta o remédio exatamente na dose pedida. Pílulas sobrando nunca mais. O negócio, um claro avanço da gigante do varejo no setor de saúde, despertou uma corrida pela digitalização do mercado. Esta semana, uma das principais redes farmacêuticas dos EUA, a Walgreens anunciou um acordo de grandes proporções com a Microsoft. O movimento conjunto pode mudar como farmácias funcionam, ao mesmo tempo em que popularizam o conceito de saúde digital.

 

A PillPack já transforma por completo a relação: ao invés de entregar na casa do paciente as tradicionais caixas dos remédios, envia pequenos envelopes devidamente marcados: 13h de domingo, algumas pílulas, 20h, estas outras. Já vem com a hora e o dia de tomar, e na quantidade exata. Para pacientes que necessitam de medicação continuada, basta fazer uma assinatura. A relação com seguros de saúde e com o médico que prescreve é automatizada. O próprio médico pode enviar uma receita nova por meio digital, via app, quando necessário. E há sempre um farmacêutico, 24 por 7, à disposição.

 

Na semana passada, o CEO da Walgreens Boots Alliance, Stefano Pessina, se encontrou com o da Microsoft, Satya Nadella, para o anúncio de um acordo incomum. O contrato estabelece uma parceria de sete anos no qual, de cara, a velha companhia vai transferir toda sua operação para a nuvem da Microsoft. É só o início — a Microsoft atuará, também, como consultora, buscando novos parceiros digitais para a Walgreens. Nisto está um bom naco da inovação: a empresa fundada por Bill Gates atua mais como consultoria, orientando a lógica da transformação digital, do que como mera fornecedora de produtos.

 

Ao longo deste período, entre a aquisição de novas tecnologias, a construção de acordos com terceiros e o desenvolvimento de software e hardware, o objetivo é entregar na outra ponta uma Walgreens reinventada. Entrarão no pacote, por exemplo, a tecnologia que a Microsoft está desenvolvendo para grandes cadeias varejistas de lojas sem caixas. O cliente entra, pega o produto e sai, a loja registra através de sensores. Filas, nunca mais.

 

Da concorrência que agora nasce entre Amazon e Walgreens, farmácias nunca mais serão como antes.

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