Um aplicativo simples, porém revolucionário, pôs uma discussão ética séria no centro da relação entre tecnologia e saúde, no Reino Unido.

Um debate que está apenas começando. Na semana passada, o Google incorporou em sua nova iniciativa, Google Health, o aplicativo Streams, desenvolvido pelo seu laboratório de inteligência artificial britânico, DeepMind.

 

Embora desenvolvido por uma empresa de IA, Streams não exige que o computador pense. Só que armazene informação de forma simples e eficaz. O aplicativo, que roda nos celulares de médicos do sistema público de saúde, NHS, permite acesso imediato a todas as informações de um paciente. Do tipo sanguíneo aos resultados mais recentes de exames. Quando algum índice escapa do normal, um alerta toca imediatamente no smartphone do médico certo. Assim, tanto nas rondas habituais como nos momentos de urgência, acesso aos dados é sempre simples e fácil.

 

O problema: privacidade. A DeepMind foi uma empresa adquirida pelo Google em 2014. A parceria permitiu à equipe de cientistas do laboratório acesso a informação sobre como agilizar seus bancos de dados, otimizar uso de bateria em celulares e tudo o mais. Mas levantou uma onda de críticas. Afinal, todos os dados sobre os britânicos que usam o sistema público de saúde estão em Streams. Ou seja: estão nas mãos do Google.

 

A empresa da Califórnia, assim como a DeepMind, garantem que o banco de dados com toda a informação está isolado. Mas, argumentam os críticos, isto é semântica. É informação pessoal, delicada, que agora foi parar nas mãos de uma companhia que em essência vive de explorar cruzamento de dados. O cerne do debate em HealthTech é este. Tecnologia agiliza, salva vidas. Mas é preciso lidar com a questão da privacidade.

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