Uma regulação burocrática, cujo primeiro rascunho foi publicado pelo governo americano, está causando burburinho no setor de saúde.

A nova regra, quando entrar em ação, em 2020, exigirá que todos os médicos, clínicas, hospitais e seguros de saúde que operem com o governo federal disponham dos dados de seus pacientes eletronicamente. Todos os usuários de serviços passarão a ter o direito de acessar online as informações sobre seus atendimentos assim como transferi-las para quem desejarem — um outro médico, um software de gerenciamento de saúde, ou um grupo de pesquisadores, por exemplo.

 

Em essência, o governo obriga não só que os dados de um atendimento sejam digitais, mas também que estejam num formato que possa ser lido por qualquer sistema.

 

Há duas intenções não disfarçadas na iniciativa. A primeira é evidente: os dados precisam ser digitalizados e postos em nuvem. Em alguns bolsões, principalmente no interior dos EUA, muitas clínicas ainda operam com formulários manuscritos e fax, ou sistemas fechados, sem saída para a internet.

 

A segunda é que há, por parte de alguns fornecedores de serviços de saúde, uma política de segurar dados, não permitir compartilhamento. É que dados acumulados têm valor. Seria uma tentativa de garantir exclusividade.

 

Mais autonomia e informação para o paciente 

Ao impor a mudança de cima para baixo, o governo americano passa mensagens claras. Os dados pertencem ao paciente, não à instituição que o atendeu. E, depois, a tentativa de garantir a posse destas informações não pode atrapalhar o avanço de pesquisas. Ao tornar o compartilhamento fácil, a esperança do governo é de que mais estudiosos tenham acesso a bancos de dados que lhes permitam fazer grandes estudos, que possam revelar mais do que não conhecemos sobre doenças.

 

A mudança já disparou uma corrida entre startups de HealthTech, que agora têm a missão de produzir e adaptar softwares para permitir que as novas regras funcionem.

 

Confira aqui o comunicado publicado pela CMS - agência federal ligada ao serviço de saúde e serviços humanos dos EUA.

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